Iniciação à Flauta Doce (um breve artigo)
Como começar um ensino de Flauta Doce
Vivenciando de acordo com o que Rosa Lucia Mares Guia diz em seu livro. Dizia ela, “antes do papel, vem o corpo”; “atividades propiciadoras de atitude, que levem o aluno a experimentar com seu corpo, sua voz e em sua performance os conceitos musicais, tendo a percepção e acumulando significados para, então, conceituar”.
Rosa Lúcia M. Guia utilizava abordagens pedagógicas musicais que agregariam significado na musicalização de qualquer indivíduo. Abordagens didáticas que tinham fim proveitoso como:
- Edgar Willems;
- Émile Jaques-Dalcroze;
- Carl Orff;
- John Paynter;
- Murray Schafer;
- Keith Swanwick;
- Violeta Gainza;
- Judith Achosty;
Maura Penna, uma educadora musical brasileira, diz que é indispensável articular ‘o quê” e “como” para ensinar efetivamente, isto é, para desenvolve um verdadeiro processo educativo, compreendido não apenas como transmissão de conteúdos, mas como um processo de desenvolvimento das capacidades (habilidades, competências) do aluno, de modo que ele se torne capaz de apropriar-se significativamente de diferentes saberes e fazer uso pessoal destes em sua vida.
Então, qualquer material didático é construído com base em certos princípios e com certas finalidades e, assim, é a sequencia didática escolhida por Rosa Lúcia Mares Guia que com flexibilidade utilizava várias abordagens, permitindo múltiplas respostas didáticas ao mesmo problema pedagógico.
Em seu livro, Rosa Lúcia Mares Guia (pag. 7, 2004), inicialmente, as aulas devem ser voltadas para a fase de vivencias, quando ainda desconhecem as figuras rítmicas ou mesmo a notas na pauta. A introdução ao instrumento requer um cuidado muito especial e pode ocorrer com o uso de diferentes abordagens. O aluno pode começar tocando “de ouvido”, prática muito prazerosa, que deve ser incentivada no processo de musicalização. Depois, pode utilizar algum tipo de grafia (convencional ou aproximada) que venha resultar na leitura de partitura, dando o devido preparo para uma atividade tão complexa que é a leitura absoluta.
Por isso, Rosa Lúcia continua dizendo (pag. 8, 2004), visando possibilitar o imediato acesso ao instrumento, sem atropelar o processo de alfabetização musical, propõe que o aluno seja introduzido ao estudo da flauta doce por meio de um trabalho de preparação auditiva e da leitura de gráficos proporcionais de altura e duração, correspondentes a um variado repertório de canções. Levando o aluno até a criar suas próprias melodias para serem tocada por todos.
Aqui falo por experiência própria, pois estive ao lado dessa grande Mestra da Educação Musical, vivenciando cada dia de suas aulas, observando sua maestria em dar uma aula, em demonstrar um ensinamento. Algo que foi precioso para minha formação e a forma de pensar o ensino da música por meio da musicalização ou do ensino de um instrumento musical.
Nas próximas postagens estarei explanando esse conteúdo na prática.
Até lá!
BIBLIOGRAFIA:
GUIA, Rosa Lúcia dos Mares. Tocando flauta doce: pré-leitura. Belo Horizonte, 2004.
MATEIRO, Teresa; ILARI, Beatriz (Org.). Pedagogias em Educação Musical. Curitiba, 2012.